O medo da Coreia do Norte

A mídia vem alertando o mundo constantemente sobre uma série de exercícios nucleares que a Coreia do Norte vem promovendo, essa ação reativou o fantasma de uma possível III Guerra Mundial. Para compreender o conflito entre Coreia do Norte e Coreia do Sul é preciso contextualizar o momento da divisão da Coreia e o movimento que originou o conflito pela Guerra da Coreia.

O medo da Coreia do Norte

 

O Japão a partir de 1910, iniciando a era Meiji e sua política expansionista, dominou a região da península coreana. Com a rendição japonesa no final da Segunda Mundial (1939-1945), o domínio japonês sobre a Coreia foi discutido entre os países vencedores na Conferência de Potsdam (1945). Nessa conferência foi estabelecido o livramento da Coreia sobre o Japão e foi feito a divisão da Coreia entre URSS e EUA através do paralelo 38ºN.

A Coreia do Norte, sobre o domínio da URSS foi liderada pelo comunista Kim II Sung. Enquanto, a Coreia do Sul, sobre o domínio do EUA foi governada por Sygnman Rhee, aliado do governo norte-americano e apoiado por simpatizantes do Japão. Embora a Coreia tenha se dividido, o sentimento pró-unificação da Coreia permaneceu. Explica Visentini (2012) que  “Em 1948 eclodiram revoltas nas províncias sulistas de Yosu e Cheju Do, e líderes mode­rados pró-unificação foram assassinados, ao passo que os soviéticos, por seu turno, retiravam-se do Norte”(VISENTINI, 2012, p.197). Porém, a ideia de reunificação de duas regiões ideologicamente antagônicas na Guerra Fria tornou-la inconciliável. É nesse sentimento misturado com a divergência ideológica da Guerra Fria que eclode a Guerra da Coreia em 1950.

A GUERRA DA COREIA (1950-1953)

 A Guerra da Coreia começa com a invasão norte-coreana na Coreia do Sul em junho de 1950. O objetivo da invasão norte-coreana teve o objetivo de unificar as Coreias, através do regime comunista. Um fato que estimularia a Coreia do Norte a realizar essa invasão foi a Revolução Popular na China, sobre a liderança do comunista Mao Tsé-Tung em 1949 na Revolução Socialista na China, e pela crise estabelecida na Coreia do Sul

O medo da Coreia do Norte

Em praticamente dois meses, o exército da Coreia do Norte conseguiu controlar quase toda a Coreia do Sul. O Conselho de Segurança da ONU condenou a invasão norte-coreana e em retaliação enviou tropas na Coreia do Sul para conter o avanço da tropa comunista. Esta tropa da ONU era composta na maioria por norte-americanos e de pequenos grupos da França, Grã-Bretanha, África do Sul, Bélgica, Canadá, Colômbia, Etiópia, Grécia, Nova Zelândia, Austrália, Holanda, Filipinas, Tailândia e Turquia (VISENTINI, 2012). As tropas da ONU conseguiram avançar e expulsar tropas norte-coreanas cruzando a fronteira da Coreia do Norte e chegando o próximo ao rio Yalu, que demarcava a fronteira entre Coreia do Norte e China.

O medo da Coreia do Norte

A proximidade das tropas da ONU no rio Yalu, fonte do núcleo industrial chinês, fez com que o comunista Mao Tse Tung se preocupasse com a possível invasão e ordenou uma contra-resposta, entrando na Guerra da Coreia ao lado dos norte-coreanos.

A participação chinesa na Guerra foi extremamente importante e as duas forças antagônicas (comunista versus capitalista) realizaram uma colossal guerra. Em junho de 1953,  sem praticamente ter um ganhador na guerra – já que a disputa foi extramente acirrada – foi necessário um cessar-fogo estabelecido pelo Armistício de Pan Munjon, que suspendeu o combate entre as duas Coreias e manteve a divisão entre norte e sul.

O medo da Coreia do Norte

Por fim, a Guerra da Coreia teve um empate militar, sem praticamente um vencedor, que significou “um limite à hegemonia americana na região” (VISENTINI, 2012). Como resultando, Rhee permaneceu como presidente vitalício na Coreia do Sul mantendo uma ditadura. Do lado Norte, King Il-Sun manteve o comunismo e a ditadura.

A Guerra da Coreia, com 4 milhões de mortos, foi considerada como “primeiro esboço do fim do mundo” devido a quantidade de grupos envolvidos. Importante destacar que a guerra só não tomou proporções maiores, com o uso de armas nucleares, por conta do receio mundial de desencadear uma guerra maior e feroz. Afinal, o contexto dessa época era de tensão na Guerra Fria. Visentini (2012, p.197) descreveu a Guerra da Coreia da seguinte forma:

Dentre os conflitos que sacudiram [o mundo] […] durante a década que se seguiu ao final da Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia constituiu o ponto de inflexão mais significativa da Guerra Fria. Esse conflito, ainda pouco conhecido, teve notável impacto mundial e foi o epicentro de um colossal confronto entre o mundo capitalista e o socialista.

No mesmo sentido, a revista Mundo Estranho chama a Guerra da Coreia como “O primeiro esboço do fim do mundo. A batalha oriental opôs chineses e americanos e quase detonou a Terceira Guerra Mundial”. 

Posteriormente a Guerra, o sentimento de unificação coreana ainda se mantem e as duas Coreias se consideram inimigas e vivem em estado de alerta. Por exemplo, a Coreia do Norte desde 2006 vem investindo em testes nucleares que aterrorizam o mundo.

AS DUAS COREIAS NOS ANOS 90: DO ASPECTO ECONÔMICO AO INVESTIMENTO EM ARMAS NUCLEARES

Coreia do Sul

A Coreia do Sul nos anos 80 iniciou uma mudança política (vivenciou diversos golpes militares e somente encontrou a democracia nos anos 90) e econômica, ao receber ajuda principalmente norte-americana e dos demais países capitalistas. O alto potencial econômico sul-coreano resultou que o país fosse chamado de Tigre Asiático, e apelidado de “plataforma de exportação” por conta dos grandes investimento, mão de obra barata e abundante e de sua participação no mercado externo. Com grandes indústrias nacionais como a LG, Samsung e Hyndai, a Coreia do Sul se destaca atualmente como umas das principais economias asiáticas.

Em 2016,  a Coreia do Sul foi alvo de um escândalo de corrupção envolvendo a presidenta sul-coreana Park Geun-hye, resultando no seu impeachment. Hoje, dia 10/05, aconteceu as eleições sul-coreanas elegendo Moon Jae-in, que afirmou planejar visitar a Coreia do Norte para discutir sobre o programa nuclear norte-coreano.

Coreia do Norte

 Nos anos 70 a Coreia do Norte tinha potencial econômico alcançado com seu milagre econômico nos anos 70. Contudo, com o desmantelamento da URSS em 1991, a Coreia do Norte ficou sem laços comerciais (se relaciona apenas com a Rússia e com a China) e apoio diplomático soviético provocando um constante declínio econômico. Assim como os demais países socialistas, a Coreia do Norte sofreu com diversas crises econômicas. A crise alimentar nos anos 90 foi agravada com as várias enchentes em 1994, provocando a morte de 1 milhão até 1998.

Em contrapartida com a crise econômica, o país norte-coreano manteve seus gastos em armamentos, aumentando ainda mais a crise econômica. O motivo desses gastos justifica-se pela tensão na região e na preparação que seus inimigos (EUA, Coreia do Sul e Japão) resolvessem ataca-los novamente. De fato, as duas porções coreanas ainda vivem o sentimento pró-unificação, ocasionando uma inimizade entre os dois países e um clima constante de Estado de Guerra.

O medo da Coreia do Norte

REAPROXIMAÇÃO ECONÔMICA ENTRE AS COREIAS 

Em 2000 foi criado um parque industrial de capital sul-coreano, instalado em Kaesong, do lado norte-coreano da fronteira, com 124 empresas sul-coreanas e empregando cerca de 53 mil norte-coreanos.

Este parque abriga diversas indústrias de capital sul-coreano e sua área é diversificada, atuando a maioria na área manufatureira com produção de roupas, calçados, relógios e utensílios de cozinha.

Em 2016, o governo sul-coreano acusa o governo norte-coreano de usar a receita do parque industrial de 110 milhões de dólares nos testes de arma nucleares e anuncia suspender as operações.

COREIA DO NORTE: DA ASCENSÃO DE KIM JONG-UN AO TESTE NUCLEAR 

DINASTIA

O medo da Coreia do NorteEm 1994 falece o ditador King Il-Sun (1912-1994), responsável pela criação da dinastia da família e do comunismo na Coreia do Norte. Com a morte de Sun, o seu filho Kim Jon-Il (1942-2011) assume o poder. Sobre o governo de Kim Jon-Il:

Durante 17 anos, cultivou um dos regimes mais fechados do mundo, baseado no culto de si e do sistema comunista. O governo hermético não impediu que idiossincrasias de Jong-il viessem a público, como o autoproclamado título de inventor do hambúrguer, formando a imagem complexa de um líder excêntrico de um país isolado do mundo, cujo futuro na península coreana é agora incerto .

No governo de Kim Jon Il é retomado as atividades nucleares em 2006 e 2009.

O ditador Kim Jon Il falece em 2011 e seu filho Kim Jong-Un assume o seu lugar. O curioso é que Kim Jong-Un foi educado na Suíça (leia o quadro abaixo) e por isso os países ocidentais esperavam de seu governo mais abertura política e menos momentos conturbados. Contudo, em 2012, é feito com sucesso um foguete espacial de longo alcance e, em fevereiro de 2013, foi realizado um teste nuclear em Punggye-ri.

Sabe-se que estudou na Suíça, em colégios de língua inglesa e alemã, onde ele teria aprendido inglês, alemão e francês. Nessa época (final dos anos 1990), contudo, ele escondia suas origens e teria assumido a identidade de Pak Chol, passando-se por filho de um diplomata norte-coreano.

Colegas de classe ocidentais o descreveram como um garoto normal, tímido e apaixonado por basquete americano. Um de seus principais passatempos seria fazer desenhos do astro da NBA Michael Jordan. Outro seria o videogame. A paixão pelo basquete foi confirmada com a recente visita ao fechado país do que seria um de seus ídolos de infância, o jogador Dennis Rodman.

[…] A chegada ao poder do jovem líder educado no Ocidente gerou expectativas de que mudanças poderiam estar chegando à Coreia do Norte. Apesar da proximidade com o pai e o avô se estender até mesmo a seus trejeitos, Kim Jong-un logo viria apresentar diferenças, especialmente uma personalidade mais midiática.

Em resumo, Kim Jong-Un é uma personalidade confusa, pois sua influencia ocidental e gosto norte-americano contradiz a o sentimento de seus ancestrais em sempre tratar o EUA como inimigo. Contudo, mesmo com sua influencia ocidental, Jong-Un deixa bem claro sua aversão aos EUA e demais países que possa atrapalhar o seu caminho.

Um episódio estranho é que em maio de 1991, Kim Jong-Un e seu irmão mais velho, Jong-chul, foram para Tóquio no Japão com passaportes falsos para visitar a Disneylândia japonesa. Pior, é que os irmãos entraram em Tóquio com passaporte brasileiro.

Para ver outras informações, veja a matéria da revista Epoca que enumerou sete curiosidade sobre o ditador Kim Jong-Un.

Testes nucleares, Bomba de Hidrogênio e tensão com o EUA

A Coreia do Norte realizou testes nucleares em outubro de 2006, maio de 2009 e fevereiro de 2013. Todos estes testes causaram uma preocupação mundial e sanções da ONU contra o governo norte-coreano. O motivo das atividades nucleares é que a Coreia do Norte sempre esteve em estado de beligerância (estado em guerra, alerta), justamente pela suposta ameaça de perder seu território para a Coreia do Sul, EUA e ou Japão. Em resposta, o Conselho de Segurança da ONU como repudio aos testes determina duramente sanções econômicas, que praticamente não parece provocar efeitos.

É nesse estado de alerta que ainda vivem as duas Coreias e demais países, que colocam em risco a paz mundial.

O preocupante é que em 9 de setembro de 2016, a Coreia do Norte realizou um teste com a Bomba de Hidrogênio, 50 vezes mais potente do que as bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki.

Fonte: Educahelp

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